Sobre esta Campanha
Nem toda perda é vista, quando falamos em lúpus muita gente pensa em dores articulares e manchas na pele ou exames alterados. Mas existem perdas que ninguém vê, perda da energia que eu tinha, trabalhava, saía, resolvia, produzia. Hoje eu calculo cada passo, escolho prioridades e as vezes não dou conta de nada e isso dói mais que a dor física. Perda da previsibilidade, eu nunca sei como irei acordar amanhã, planejar virou um ato de coragem, desmarcar virou rotina. Perda de relações, algumas pessoas se afastam, outras não entendem e tem quem diga “mas você nem parece doente.” Como se a dor precisasse ser visível para ser válida. Perda da versão antiga de mim mesma, aquela que não precisava justificar descanso, que não sentia medo de uma crise, que não tinha o corpo como uma incógnita. Sinto saudade de quem eu era e quase sinto culpa por isso. Perda da autonomia, as vezes depender dói, pedir ajuda dói, aceitar limites dói. Existe um luto silencioso, porque não perdi alguém, perdi partes de quem eu era antes do diagnóstico. E a sociedade não reconhece esse tipo de luto. Mas no meio das perdas, algo nasce. Força que eu não sabia que tinha, empatia que só quem sente desenvolve consciência sobre o próprio corpo. Resiliência construída no dia a dia, eu não sou só minhas perdas, também sou reconstrução. E espero a ajuda de vocês para continuar vencendo essa causa com louvor! Gratidão 🙏🏻
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