Jovem do interior de SP viaja mais de 2 mil quilômetros para doar medula óssea. | Blogs | Campanha do Bem

Jovem do interior de SP viaja mais de 2 mil quilômetros para doar medula óssea.

Tatiane Marques Rodrigues | 02/03/2021 16:36

“O tempo todo, principalmente quando eu sentia algumas dores, eu pensava assim: a pessoa que vai receber a medula provavelmente deve ter passado por situações muito mais complicadas.”

O relato é de uma jovem de Bauru (SP), que atualmente mora em Lins. Ela decidiu sair da zona de conforto e viajou até Recife (PE), a 2.199 quilômetros de distância, para doar medula óssea a um paciente 100% compatível com ela.

Apesar de não conhecer a pessoa que recebeu a doação, a estudante de psicologia Giovanna Venarusso Crosara, de 24 anos, tem certeza que o gesto valeu a pena e fica feliz em saber que pode ter ajudado a salvar uma vida.

Não existe data certa para se tornar um doador: basta fazer um cadastro no Redome, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, e esperar que o programa encontre um paciente compatível. O transplante de medula pode ajudar pessoas com doenças que afetam as células do sangue, como a leucemia.

Desde o cadastro, Giovanna mudou de casa algumas vezes e atualmente reside em Lins, onde cursa psicologia. Neste período, a estudante disse que sempre atualizou seus dados no Redome até que, quatro anos depois, recebeu uma ligação.

“Em outubro [de 2020] eles [do Redome] me ligaram e disseram tinham a possibilidade de eu ser compatível com algum paciente, e eu fiquei surpresa. Aí eu precisava fazer um outro exame para confirmar a compatibilidade”, lembra Giovanna.

A jovem foi até o hemocentro de Marília para tirar uma amostra de sangue e enviar os resultados ao Redome. Em dezembro, a equipe retornou a ligação e confirmou que Giovanna era 100% compatível com um paciente que estava precisando de um transplante de medula óssea.

“Eu fiquei, nem sei, extasiada. Logo fiquei pensando em quem era, o que essa pessoa estava passando”, conta a estudante.

Depois da confirmação, Giovanna começou a acertar a parte burocrática com a equipe do Redome que, segundo ela, sempre a questionava se ela gostaria de continuar com o processo voluntário.


No dia 11 de janeiro, a jovem viajou para Recife, com as despesas pagas pelo programa, para fazer mais alguns exames e, no dia 23, partiu novamente para o estado do Pernambuco com uma amiga para internar e fazer a doação.

“Fiz exame de Covid, tomografia, exame de sangue e tomei uma injeção para estimular minha medula. Minha doação foi no dia 25, deram sedativo, fiz o procedimento e não vi nada, só acordei na salinha de recuperação”, relata Giovanna.

De acordo com o Redome, a doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, no qual a medula é retirada do interior de ossos da bacia por meio de punções. O procedimento leva em torno de 90 minutos e a medula óssea do doador se recompõe em 15 dias.

Segundo a estudante, ela teve algumas dores na lombar depois de tomar a injeção que estimulou a medula e, após a doação, sentiu dor no local do procedimento. No entanto, Giovanna diz que recebeu toda a assistência e teve alta no dia seguinte.

A jovem voltou para casa e disse que agora vive com a curiosidade de descobrir quem recebeu a sua medula, o que só pode ocorrer um ano e meio após a doação, se as duas partes quiserem.

Mesmo em meio à pandemia de coronavírus, Giovanna garantiu que todo o processo foi seguro. Além do exame de Covid, ela seguiu vários protocolos para evitar a disseminação da doença durante as consultas e viagens. No fim, a sensação que ficou é de que valeu a pena.

Fonte: G1